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Prazos longos e entradas baixas atravancam o mercado de financiamento. Entrevista com Márcio Macedo, do Banco Safra - 15/10/2008 22:03:46

Entretanto, o futuro do mercado é promissor.

Marcio Macedo Operador Banco J. SafraA maioria das pessoas interessadas em comprar um carro busca um banco para financiamento, uma vez que o preço à vista de veículos é inacessível para grande parte da população. Entretanto, a inadimplência e as boas condições fornecidas pelas lojas acabam atrapalhando os financiadores.

Márcio Macedo, operador de negócios do Banco Safra em Mogi das Cruzes, afirma que a culpa do pequeno crescimento atual do mercado de financiamento é principalmente da inadimplência. “O mercado atual está estável, com um pequeno crescimento travado apenas pela inadimplência atual, principalmente para o prazo de 60 meses, que hoje é a grande preocupação dos bancos”.

O principal motivo para essa inadimplência, segundo o operador, são as ótimas condições para compra de um veículo hoje. “Os prazos são muito longos e as entradas na maioria das vezes elas nem existem. Os bancos acabam assumindo um risco altíssimo nessas negociações”, considera Macedo.

Tais condições acabam atravancando a diminuição das taxas. “As taxas poderiam ser bem inferiores, mas o banco necessita atuar com taxa elevada para garantir a segurança de permanência no mercado. O banco precisa manter os custos operacionais, principalmente os acionistas, que precisam de um bom retorno dos investimentos para manter a parceria”.

Apesar disso, Macedo é otimista quanto ao futuro do mercado: “Vejo um futuro promissor, com grandes novidades contínuas, pois o mercado de veículos nunca pára. Não acredito em boatos negativos e crises fantasmas, acredito no bom profissional capacitado e no relacionamento dele com seus parceiros. O futuro desse mercado é nosso presente. O brasileiro é consumista sim e apaixonado por carros. Costumo dizer que se nós abrirmos a geladeira de um brasileiro ela pode muitas vezes estar vazia, mas se abrirmos sua garagem com certeza lá estará um carro novo, junto com o carnê”, brinca.

Márcio Macedo, do Banco Safra, explica as tendências do mercado atual.



O financiamento é o principal meio de o brasileiro comprar um carro, uma vez que o alto custo de um veículo à vista é inacessível para grande parte da população. Apesar da alta demanda, os bancos acabam sofrendo com a inadimplência e as boas condições fornecidas pelas lojas, como prazos muito longos muitas vezes sem entrada. Márcio Macedo, operador de negócios do Banco Safra e no mercado há 17 anos, conversa com o Portal Frotista sobre o mercado de financiamentos atual na capital e no interior, sobre os principais entraves e sobre o futuro do mercado.

Portal Frotista: Como está o mercado geral de financiamento de veículos hoje? Em alta, em retração ou estável?

Márcio Macedo: Estável com um pequeno crescimento, travado apenas pela inadimplência atual principalmente para o prazo de 60 meses, que hoje é a grande preocupação dos bancos.

Portal Frotista: Então hoje a inadimplência é grande? A que se deve essa inadimplência?

Márcio Macedo: É pequena se comparada à carteira do banco, tem apenas um pequeno percentual. Entretanto, a inadimplência tem que ser observada detalhadamente pelo banco, para evitar altos riscos e grandes prejuízos à carteira. O principal motivo [para a inadimplência] é a facilidade com que se compra um veículo hoje. Com os prazos longos e as baixas entradas (na maioria das vezes elas nem existem), os bancos acabam assumindo um risco altíssimo.

Portal Frotista: Existe alguma diferença entre o mercado de São Paulo capital e do interior?

Márcio Macedo: Já atuei em diversas regiões de São Paulo, e ao chegar em Mogi das Cruzes notei que os clientes aqui são mais pensativos, negociadores e exigentes. Os concorrentes são mais próximos, e muitas vezes até trocam informações e referencias de clientes. Em São Paulo ocorre um mercado mais agressivo, muito disputado, com um número mais elevado de revendas e concessionárias. Automaticamente o volume de vendas é extraordinário, pois atrai clientes de diversas regiões.

Portal Frotista: Como se encontram as taxas de financiamento hoje e elas variam de acordo com que fatores principais?

Márcio Macedo: Eu sempre costumo comparar as taxas de hoje com as de ontem, e elas poderiam ser bem inferiores, mas existem diversos fatores que travam essa possibilidade, como a inadimplência. Os bancos precisam atuar com uma taxa elevada para garantir a segurança e permanência no mercado, uma vez que não podem baixar os custos operacionais (que incluem funcionários e todo o custo para que a máquina funcione). Além disso existe a questão dos acionistas, que precisam de um retorno dos investimentos para manter as parcerias.

Portal Frotista: Quais são as tendências observadas nos últimos anos e o que você espera para o futuro do mercado de financiamento?

Márcio Macedo: Atuo em financeira de veículos desde 1991, e naquela época existia apenas o aparelho de fax, bip e computadores básicos. Se valorizava muito mais a amizade e os relacionamentos, ou seja, o bom profissional. Logicamente sofremos mudanças maravilhosas com a chegada dos veículos importados, e principalmente com a globalização, e isso tudo adicionou grande crescimento na área de vendas. Eu vejo um futuro promissor, com grandes novidades contínuas, pois o mercado de veículos nunca pára. Não acredito em boatos negativos e crises fantasmas, eu acredito no bom profissional capacitado e no bom relacionamento dele com seus parceiros. O futuro desse mercado é nosso presente. Costumo dizer que brasileiro é consumista sim e apaixonado por carros, mas muitos acabam abusando dos créditos do mercado. Costumo brincar que se abrirmos a geladeira de um brasileiro ela pode muitas vezes estar vazia, mas se abrirmos a garagem com certeza lá estará um carro novinho, junto com um carnê.

Portal Frotista: Qual a sua dica para quem quer comprar um carro e não tem o dinheiro à vista?

Márcio Macedo: Não sou contra fornecer crédito e não sou contra o financiamento de 100% do veículo. Mas acho que deve esse investimento ser bem dosado. As próprias pessoas têm que ter consciência de seus compromissos a serem assumidos junto aos bancos, e não fazerem loucuras para que seus sonhos não se transformem em pesadelos.


Agradecimentos:

Márcio Macedo
Banco Safra
Chriarte Editora

Reportagem por: Carol Almeida Jornalismo Chriarte-7 Editora

 
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