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TEMPO DE USO DOS AIRBAGS - 11/11/2009 14:29:28

O Brasil se prepara para um passo importante ao tornar obrigatório o uso de airbags duplos frontais nos automóveis e picapes, de forma escalonada, até 1º de janeiro de 2014. No entanto, há vários aspectos a considerar, entre eles as implicações jurídicas ainda não devidamente avaliadas. Por esse motivo foi bastante útil o seminário, realizado recentemente em São Paulo pela AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), que estabeleceu o debate entre tecnologia e legislação quanto à segurança veicular.

Outros países já passaram por esses temas. Nos EUA o airbag para motorista é compulsório desde 1987 e dez anos depois, motorista e passageiro ao lado. Na Europa não são obrigatórios, mas desde 1994 estabeleceram-se critérios biomecânicos de proteção aos ocupantes em impactos frontais que, indiretamente, levou todos os fabricantes a instalá-los. Alguns chegaram a atingir os critérios exigidos, mas as margens eram pequenas e optaram pelas bolsas de ar.

Na realidade, airbag é um sistema auxiliar de retenção que funciona muito mal se os ocupantes não estiverem usando cintos de três pontos. Estudos recentes do órgão de segurança americano apontam que, em testes padronizados de choque frontal, só os cintos reduzem em 50% o risco de morte. Com ocupantes protegidos por cintos e airbags, a taxa de sobrevivência sobe para 61%, portanto bem menos do que a maioria imagina.

Marcelo Bertocchi, da GM, explicou que nos EUA usuários podem solicitar o desligamento do sistema, em procedimento às autoridades, se tiver baixa estatura ou transportar crianças em picapes, por exemplo. Lá ocorreram ações judiciais sobre o componente não inflar e levou à formação de peritos especializados visando jurisprudência. O dispositivo só é acionado em certas condições de desaceleração e ângulo da colisão.

Assim o Brasil deveria planejar desde já campanhas para explicar o funcionamento dos airbags, suas limitações, as etiquetas de advertência.
Direcionar tecnologias é incorreto. Henrique Martins, da Ford, exemplificou sobre apoios de cabeça. Cada fabricante no exterior pesquisou uma solução. O sistema mais caro, de apoio móvel, mostrou-se menos eficiente do que o de apoio fixo acoplado à mudança de angulação do encosto dos bancos dianteiros quando do acidente. Por isso a legislação deveria exigir o que fazer e não como fazer. Celso Mazarin, da Chris, lamentou a falta de regulamentação dos cintos com pré-tensionador e alívio de carga. Seu custo-benefício teria grande alcance no atual estágio econômico.

Aspecto importante no seminário foi abordado pelo engenheiro e professor da USP Ronaldo Salvagni. Propôs um enfoque mais técnico ao analisar os acidentes que levam o país ao índice assustador de 70 mortos/ano para cada 10 mil veículos (35 mil mortos no total). Na realidade, o índice passa de 100 porque a frota é 30% menor do que os registros oficiais. Os atuais boletins de ocorrência previstos em lei voltam-se mais à descoberta dos culpados. Ele propõe formulários, como os utilizados na Austrália, que destacam elementos para ajudar na segurança veicular. Esses peritos específicos organizariam um banco de dados inigualável para pesquisas. Fonte (UOL)






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